Edições Literárias - Nasoni, Mateus e a Música de seu Tempo
Nasoni, Mateus e a Música de seu Tempo
João Cabeleira e Ricardo Bernardes (coord.)
Coleção Paisagens Património & Território | 2019

O elemento mais distintivo da Casa de Mateus é sem dúvida a sua exuberante fachada atribuída ao italiano Niccolò Nasoni (1691–1773), que, no final do primeiro quartel do século XVIII, se mudou para o Porto, deixando extensa obra no Norte de Portugal.

A teatralidade do movimento barroco contido nos pináculos e outros elementos decorativos convidam quase inevitavelmente a imaginar a Casa como um décor, um cenário para a música e a ópera do seu tempo, e de todos os tempos. O peso imponente dos blocos de granito talhado não consegue conter a energia rebelde da arquitetura efémera e decorativa de que Nasoni era mestre sugerindo poderosos efeitos cénicos que a música acentua, com especial realce no caso do canto lírico.

Ao mesmo tempo, não por acaso nesse mesmo período, difundia-se a ópera na península ibérica, destacando-se neste capítulo outro italiano: Niccolò Setaro (1730–1774), que, entre 1750 e a sua morte, apenas um ano depois da de Nasoni, dedicou a sua vida à difusão desta forma artística eminentemente europeia, em Espanha e Portugal.

No primeiro Ano Europeu do Património Cultural, transcorrido em 2018, pareceu-nos oportuno associar arquitetura e música, numa homenagem a estes dois italianos que interligaram manifestações artísticas que, nas suas formas materiais e imateriais, são a mesma expressão de um património comum que faz de nós europeus.

Foram três as iniciativas que deram corpo a esta ideia: dois concertos especialmente criados para o efeito que serviram de suporte ao renascimento da Orquestra Barroca de Mateus, sob os melhores auspícios: Setaro, Construtor de Utopias – árias de ópera em versão concerto em que se conta o percurso de vida de Setaro na Península Ibérica, com dramaturgia e encenação de Mário Pontiggia, a mezzo-soprano Vivica Genaux, o barítono Borja Quiza; e o concerto Maestri e Discepoli sobre os alunos portugueses do Conservatório de Nápoles no mesmo período, ambos dirigidos pelo Maestro Ricardo Bernardes; e ainda o Seminário Nasoni, Mateus e a Música de seu Tempo organizado por João Cabeleira e Ricardo Bernardes. Foi a forma de associar eminentes académicos e especialistas à reflexão sobre uma transdisciplinaridade que se aninha no âmago daquilo que caracteriza a própria essência do que é hoje a Fundação. Uma instituição de serviço público que tem o fim de preservar opatrimónio construído e simbólico associado à Casa de Mateus, uma referência na arquitetura barroca e na atividade musical que tem promovido. 


Teresa Albuquerque

Nasoni, Mateus e a Música de seu Tempo
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