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Desenvolvida na Casa de Mateus, a exposição de fotografia Ode à La Mémoire do meu morgado de Mateus / Conversas do além de Ana Paganini propõe um diálogo entre memória, património e imaginário. A artista revisita a Casa como lugar habitado por presenças e ecos, entre o visível e o invisível, a matéria e a lembrança um exercício de escuta e revelação que celebra a permanência do tempo e da emoção.
A fotografia como pergunta
"A imagem fotográfica, e sobretudo o retrato, marca uma presença e assinala uma ausência. No seu último e notável ensaio (La chambre claire, 1980), Roland Barthes afirmaria que «(…) a Fotografia é o aparecimento de eu próprio como outro, uma dissociação artificiosa da consciência de identidade». Mais adiante, contextualiza-nos melhor. Era Novembro e o autor encontrava, por acaso, uma fotografia da sua Mãe, recentemente falecida. A Mãe surgia jovem e elegante a passear junto a uma praia. Barthes iniciava então um processo de memória e de reconhecimento que o levaria a escrever o livro em questão, o qual, mais do que um ensaio sobre fotografia, é uma ensaio sobre a memória e o afecto. Este é um filão relevante para a compreensão do trabalho de Ana Paganini (n. 1995), cuja matriz se ancora na imagem como produto e produtora de espaços de memória.
É precisamente neste espaço de memória e de afecto que se localiza a exposição agora apresentada. Trata-se de tomar como ponto de partida os arquivos fotográficos da Casa de Mateus, o arquivo do fotógrafo Albano Costa Lobo, pai de Ana Paganini, e ainda o próprio trabalho fotográfico da artista. À memória do pai, junta-se a memória do avô, Fernando Albuquerque. A uni-los, além do laço familiar, há a casa. A Casa de Mateus como portadora de espaço de memórias e de afectos que são plasmados através de objectos, livros, pinturas, mobiliário. Existe um silêncio do afecto que transita pelas imagens. De facto, o gesto de fotografar é uma possibilidade de interrupção do tempo. A fotografia nasce do desejo ontológico de reter o momento e de o guardar como um recorte.
O arquivo é o prolongamento desse gesto. Guardar imagens é decidir o que merece continuar a existir. Não há neutralidade possível: arquivar é sempre escolher, e escolher é narrar. Com o tempo, as fotografias perdem o seu contexto e ganham novos sentidos. A imagem, libertada do seu momento original, torna-se matéria de interpretação. Nesse sentido, a fotografia é menos sobre o passado do que sobre a relação que o presente estabelece com ele. A memória, mediada pela fotografia, deixa de ser puramente interior para poder ser partilhada. Talvez, afinal, a imagem fotográfica seja transitiva e possa, tempo depois, lançar novas perguntas e construir novos afectos. E é nesse intervalo, entre o que foi e o que resta, que a fotografia se mantém viva: não como lembrança, mas como pergunta."
Isabel Nogueira
ANA PAGANINI
Exposição
4 de dezembro | 18:00
Evento inserido nas comemorações dos 55 Anos da Fundação da Casa de Mateus
Para mais informações, contacte-nos através do seguinte e-mail: cultura@casademateus.pt.
Horário
Segunda-feira a Sexta-feira
9h00 às 18h00
Fins-de-Semana / Feriados
9h00 às 18h00
Contactos
+351 259 323 121