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A Fundação da Casa de Mateus assume um papel na preservação da fauna e flora locais. Uma dedicação ativa ao estudo, monitorização e salvaguarda da biodiversidade que enriquece os seus ecossistemas.
Para concretizar esta missão, a Fundação estabeleceu uma parceria com a Associação Santuário Animal Vida Boa. Esta colaboração permite uma abordagem especializada e contínua à proteção do meio ambiente. Através desta aliança, são implementadas iniciativas de monitorização que visam compreender as populações de espécies vegetais e animais, identificar ameaças e desenvolver planos de ação e educação ambiental.
Juntas, estas instituições não só salvaguardam espécies presentes na região, mas também promovem a educação ambiental e a sensibilização para a importância da conservação. É através destas ações conjuntas que a Fundação da Casa de Mateus reafirma o seu papel na salvaguarda do património natural, assegurando que a riqueza da sua fauna e flora seja um legado para as gerações futuras.

A Fundação da Casa de Mateus orgulha-se de acolher e preservar o Burro da Graciosa, uma raça asinina autóctone portuguesa, também conhecida como Burro Anão da Graciosa.
Este animal, com uma história rica e profunda na ilha da Graciosa, nos Açores, foi outrora essencial para o transporte e o trabalho agrícola, a ponto de a ilha ser apelidada de "ilha dos burros".


Águia-real (Aquila chrysaetos)
A águia-real (Aquila chrysaetos) é a maior espécie de águia regularmente presente na Península Ibérica, podendo atingir cerca de 90 cm de comprimento total e uma envergadura alar de até 2,25 m. Trata-se de uma ave de rapina de grande porte, caracterizada por uma constituição robusta, cabeça proeminente e plumagem predominantemente castanho-escuro. Os adultos apresentam uma distinta coloração castanho dourada na região da coroa e da nuca, característica que está na origem da sua designação comum.
FOTOGRAFIA: ANDRÉ BRITO
O lobo-ibérico (Canis lupus signatus) é um dos mamíferos mais emblemáticos da fauna portuguesa e um importante predador de topo dos ecossistemas. Caracteriza-se pelas orelhas triangulares, máscara facial clara, pelagem castanho-amarelada e marcas negras características nos membros anteriores. Os machos são geralmente maiores e mais robustos do que as fêmeas.
Em Portugal, a espécie é legalmente protegida desde 1988, mas mantém uma população reduzida, estimada em cerca de 300 indivíduos. As principais ameaças à sua conservação incluem a perda e fragmentação de habitat, a diminuição das presas naturais e os conflitos com a atividade pecuária.
Do ponto de vista ecológico, o lobo desempenha um papel fundamental na regulação das populações de herbívoros e na manutenção do equilíbrio dos ecossistemas. Ao predar frequentemente indivíduos mais vulneráveis, contribui também para o controlo sanitário das populações de presas.
Embora os conflitos com a pecuária constituam um desafio para a sua conservação, a coexistência entre o lobo e as comunidades humanas pode ser promovida através da adoção de medidas preventivas adequadas, como a utilização de cães de proteção de gado e o reforço das estruturas de proteção dos rebanhos.
FOTOGRAFIA: ANDRÉ BRITO

O chapim-real é a maior espécie de chapim em Portugal, facilmente reconhecida pela cabeça preta com faces brancas e pelo ventre amarelo atravessado por uma faixa preta. Habita bosques, parques e jardins, estando amplamente distribuído por todo o território nacional.
Alimenta-se principalmente de insetos durante a primavera e o verão, consumindo também sementes nos meses mais frios. Desempenha um importante papel ecológico ao contribuir para o controlo natural de pragas, como a processionária-do-pinheiro.
FOTOGRAFIA: ANDRÉ BRITO


Víbora-cornuda (Vipera latastei)
A víbora-cornuda (Vipera latastei) é uma serpente venenosa de tamanho médio, facilmente identificada pela pequena protuberância em forma de corno na extremidade do focinho. Apresenta corpo robusto, cabeça triangular bem diferenciada do pescoço e um padrão dorsal em ziguezague sobre uma coloração variável entre castanho, cinzento e avermelhado.
Distribui-se pela Península Ibérica e sul de França. Em Portugal ocorre sobretudo nas regiões norte e centro, ocupando áreas montanhosas, zonas rochosas, matagais e florestas abertas, onde encontra abrigo entre pedras e vegetação.
É um predador carnívoro que se alimenta principalmente de pequenos mamíferos, lagartos, aves e anfíbios. Caça por emboscada, utilizando o veneno para imobilizar as presas e facilitar a sua digestão.
FOTOGRAFIA: ANDRÉ BRITO

Tritão-de-ventre-laranja (Lissotriton boscai)
O tritão-de-ventre-laranja (Lissotriton boscai) é um anfíbio endémico da metade ocidental da Península Ibérica, distribuindo-se amplamente por Portugal continental. Caracteriza-se pela coloração acastanhada ou esverdeada no dorso, geralmente com pequenas manchas escuras, e pela face ventral de tonalidade laranja, avermelhada ou amarela. Durante a fase aquática apresenta pele lisa, tornando-se mais rugosa na fase terrestre.
Habita uma grande variedade de meios aquáticos, incluindo ribeiros de corrente lenta, charcos temporários, lagoas, tanques, represas e albufeiras com vegetação abundante. É uma espécie maioritariamente noturna e crepuscular, com forte dependência dos ambientes aquáticos.
A sua alimentação baseia-se em pequenos invertebrados, desempenhando um papel importante no controlo das populações destas presas e no equilíbrio dos ecossistemas aquáticos.
FOTOGRAFIA: ANDRÉ BRITO

Lagarto-de-água (Lacerta schreiberi)
O lagarto-de-água (Lacerta schreiberi) é um réptil endémico da Península Ibérica, facilmente reconhecido pela sua coloração verde com padrões reticulados escuros. Durante a época reprodutora, os machos desenvolvem uma intensa coloração azul na cabeça e garganta, enquanto as fêmeas tendem a apresentar maiores dimensões corporais e manchas mais evidentes.
Em Portugal continental, distribui-se principalmente a norte do rio Tejo, ocorrendo também em alguns núcleos isolados nas regiões centro e sul. Habita preferencialmente zonas húmidas associadas a ribeiros, rios e outras linhas de água com vegetação abundante.
A sua alimentação é constituída sobretudo por insetos e outros pequenos invertebrados, podendo complementar a dieta com frutos silvestres. Quando perturbado, procura frequentemente refúgio na água, sendo um excelente nadador.
FOTOGRAFIA: ANDRÉ BRITO
SABER MAIS

Genciana-das-turfeiras (Gentiana pneumonanthe)
A genciana-das-turfeiras (Gentiana pneumonanthe) é uma planta herbácea perene, caracterizada pelas suas vistosas flores tubulares de cor azul-violeta. A floração ocorre entre o final do verão e o início do outono, com flores geralmente solitárias ou agrupadas em pequeno número ao longo do caule.
Distribui-se por várias regiões da Europa, sendo uma espécie rara e localizada em Portugal. Habita zonas húmidas, como turfeiras, lameiros e prados encharcados, dependentes de condições específicas de humidade e características do solo.
As flores constituem uma importante fonte de néctar para diversos insetos polinizadores, incluindo algumas espécies especializadas. Devido à sua sensibilidade às alterações ambientais, a presença desta planta é frequentemente considerada um indicador de habitats húmidos bem conservados.
A conservação da genciana-das-turfeiras depende da proteção e gestão adequada das zonas húmidas, atualmente ameaçadas pela drenagem, alteração do uso do solo e degradação dos ecossistemas.

Geneta (Genetta genetta)
A geneta (Genetta genetta) é um pequeno mamífero carnívoro de corpo esguio e alongado, patas curtas e cauda comprida, marcada por 8 a 10 anéis escuros. A pelagem é cinzenta com manchas negras bem definidas, e as patas possuem garras adaptadas à escalada. Não apresenta dimorfismo sexual evidente, embora os machos possam atingir dimensões ligeiramente superiores às das fêmeas.
A espécie distribui-se pela África subsaariana, Norte de África e sudoeste da Europa, estando amplamente distribuída em Portugal continental. Ocorre preferencialmente em áreas florestais e zonas de vegetação densa próximas de linhas de água, que lhe proporcionam abrigo e recursos alimentares.
A sua dieta é composta principalmente por pequenos mamíferos, mas inclui também aves, répteis, insetos e frutos. Desta forma, desempenha um papel importante no controlo das populações de presas e na dispersão de sementes.
Pensa-se que a introdução da geneta na Península Ibérica tenha ocorrido durante a ocupação árabe, possivelmente no século VIII, seguindo-se posteriormente a sua expansão natural pelo território.
FOTOGRAFIA: ANDRÉ BRITO

LBernardo-de-pata-verde (Clibanarius erythropus
O bernardo-de-pata-verde (Clibanarius erythropus) é um pequeno crustáceo marinho pertencente ao grupo dos caranguejos-eremitas. Caracteriza-se pelas patas com tonalidades esverdeadas e avermelhadas e pelo abdómen mole, que protege no interior de conchas vazias de moluscos, substituindo-as à medida que cresce.
Distribui-se pelo Atlântico Nordeste e pelo mar Mediterrâneo, sendo uma espécie comum ao longo da costa portuguesa. Habita zonas rochosas da faixa intertidal e águas pouco profundas, sendo frequentemente observado em poças de maré.
A sua alimentação baseia-se principalmente em matéria orgânica em decomposição, algas e pequenos organismos, desempenhando um importante papel na reciclagem de nutrientes e na limpeza dos ecossistemas costeiros. É uma espécie inofensiva para o ser humano e pode ser encontrada isoladamente ou em pequenos grupos à procura de alimento ou de novas conchas.
FOTOGRAFIA: ANDRÉ BRITO

Rã-de-focinho-pontiagudo (Discoglossus galganoi)
A rã-de-focinho-pontiagudo (Discoglossus galganoi) é um anfíbio de pequeno a médio porte, com comprimento geralmente compreendido entre 4,5 e 6,5 cm. Apresenta um corpo robusto, cabeça achatada e um focinho pontiagudo, característica distintiva da espécie. Os olhos são proeminentes, com íris dourada e pupilas arredondadas ou em forma de coração.
A pele é lisa, com pequenas verrugas dispersas no dorso e textura mais granulosa na região ventral. A coloração dorsal é bastante variável, oscilando entre tons pardo-amarelados, castanhos e cinzento-esverdeados, frequentemente com manchas escuras irregulares. Alguns indivíduos apresentam padrões longitudinais claros, formando bandas amareladas, beges ou castanhas ao longo do corpo.
Esta espécie ocorre em habitats húmidos, como charcos, ribeiros e zonas alagadas, onde se reproduz e encontra alimento. A sua dieta é constituída principalmente por pequenos invertebrados, desempenhando um papel importante no equilíbrio dos ecossistemas aquáticos e terrestres.
FOTOGRAFIA: ANDRÉ BRITO

Fetos
Os fetos são plantas vasculares pertencentes ao grupo das pteridófitas, caracterizadas pela ausência de flores e sementes. A sua reprodução ocorre através de esporos, produzidos em estruturas localizadas geralmente na face inferior das frondes (folhas).
Apresentam folhas frequentemente recortadas, que emergem de rizomas subterrâneos. As frondes jovens desenvolvem-se através de um enrolamento característico denominado vernação circinada.
Distribuem-se amplamente por todo o mundo, ocorrendo sobretudo em ambientes húmidos e sombrios, como florestas, margens de linhas de água e afloramentos rochosos. Em Portugal, existem numerosas espécies adaptadas a diferentes condições ecológicas.
Os fetos desempenham um importante papel ecológico na proteção do solo, retenção de humidade e manutenção da biodiversidade, sendo particularmente bem adaptados a habitats com reduzida disponibilidade de luz.
FOTOGRAFIA: ANDRÉ BRITO

Borrelho-de-coleira-interrompida (Charadrius alexandrinus
O borrelho-de-coleira-interrompida (Charadrius alexandrinus) é uma pequena ave limícola facilmente identificável pela plumagem castanha na parte superior do corpo, partes inferiores brancas e pela característica coleira peitoral incompleta. Os machos apresentam marcas negras mais evidentes na cabeça e na região peitoral, enquanto as fêmeas exibem tonalidades mais discretas, castanhas ou acinzentadas.
Esta espécie possui uma ampla distribuição mundial, ocorrendo em zonas costeiras, estuários, salinas e sistemas dunares da Europa, África, Ásia e Américas. Em Portugal, pode ser observada ao longo de todo o ano, tanto como espécie nidificante como durante os períodos de migração e invernada.
A alimentação é composta principalmente por pequenos invertebrados, incluindo crustáceos, moluscos, poliquetas, vermes e insetos, que captura em praias, sapais, estuários e salinas. Desempenha um papel importante nos ecossistemas costeiros, integrando as cadeias alimentares destes ambientes.
FOTOGRAFIA: ANDRÉ BRITO

Raposa (Vulpes vulpes)
A raposa (Vulpes vulpes) é um mamífero carnívoro da família Canidae, facilmente identificável pelo focinho afilado, orelhas proeminentes, pelagem castanho-avermelhada e cauda longa e espessa, geralmente com a extremidade branca. Os machos são, em média, ligeiramente maiores do que as fêmeas.
É um dos mamíferos com maior distribuição geográfica do mundo, ocorrendo na Europa, Ásia, Norte de África e América do Norte, tendo sido também introduzida noutras regiões. Em Portugal continental encontra-se amplamente distribuída, ocupando uma grande variedade de habitats, desde florestas e zonas agrícolas até áreas urbanas e periurbanas.
A raposa é uma espécie oportunista e omnívora, alimentando-se de pequenos mamíferos, aves, insetos, ovos, frutos e carcaças. Desempenha um importante papel ecológico no controlo das populações de presas, na dispersão de sementes e na remoção de animais mortos, contribuindo para o equilíbrio dos ecossistemas.
Apresenta atividade predominantemente noturna e crepuscular, embora possa ser observada durante o dia em locais com reduzida perturbação humana.
FOTOGRAFIA: ANDRÉ BRITO

Sapo-de-unha-negra (Pelobates cultripes)
O sapo-de-unha-negra (Pelobates cultripes) é um anfíbio de corpo robusto, cabeça larga e olhos proeminentes com pupila vertical. Apresenta uma pele relativamente lisa e coloração variável entre tons castanhos, acinzentados ou amarelados, geralmente com manchas escuras que favorecem a camuflagem. A espécie distingue-se pela presença de um tubérculo metatarsal negro e endurecido nas patas traseiras, utilizado para escavar e refugiar-se no solo. As fêmeas são geralmente maiores do que os machos.
Distribui-se pela Península Ibérica e sul de França. Em Portugal ocorre sobretudo nas regiões centro e sul, ocupando habitats com solos arenosos ou pouco compactados, como montados, áreas agrícolas, matagais e zonas abertas. Reproduz-se em charcos temporários, lagoas e outras massas de água sazonais.
A alimentação baseia-se principalmente em pequenos invertebrados, incluindo insetos, aranhas, larvas e minhocas. Trata-se de uma espécie maioritariamente noturna, passando grande parte do tempo enterrada no solo e emergindo para se alimentar e reproduzir.
FOTOGRAFIA: ANDRÉ BRITO

Fuinha (Martes foina)
A fuinha (Martes foina) é um mamífero carnívoro de médio porte, caracterizado pelo corpo esguio, cabeça triangular, cauda longa e felpuda e pelagem castanha. A sua característica mais distintiva é a mancha branca no peito e garganta, conhecida como “babete”, que se prolonga até aos membros anteriores.
Esta espécie apresenta uma ampla distribuição na Europa e em parte da Ásia. Em Portugal continental ocorre de forma generalizada, ocupando uma grande variedade de habitats, incluindo florestas, zonas agrícolas, áreas rurais e ambientes urbanos.
A fuinha é um predador oportunista e de hábitos maioritariamente noturnos. Alimenta-se de pequenos mamíferos, aves, répteis, ovos, insetos e frutos, podendo também consumir restos de origem humana. Desempenha um importante papel ecológico no controlo das populações de presas e na dispersão de sementes, contribuindo para o equilíbrio dos ecossistemas.
FOTOGRAFIA: ANDRÉ BRITO

Aranha-de-cruz (Araneus diadematus)
A aranha-de-cruz (Araneus diadematus) é uma aranha tecedeira facilmente reconhecida pelas manchas brancas em forma de cruz presentes no abdómen, sobre uma coloração geralmente castanho-alaranjada. Existe dimorfismo sexual acentuado, sendo as fêmeas significativamente maiores (12 a 17 mm) do que os machos (5 a 10 mm).
Esta espécie apresenta uma ampla distribuição no hemisfério norte, ocorrendo na Europa, Ásia e América do Norte. Em Portugal continental é comum e encontra-se amplamente distribuída, habitando jardins, bosques, sebes, áreas arbustivas e outros locais com vegetação onde possa construir as suas teias orbiculares.
A alimentação baseia-se principalmente em insetos voadores, como moscas, abelhas, vespas e borboletas, desempenhando um importante papel no controlo natural das suas populações. Apesar de possuir veneno para capturar presas, é considerada inofensiva para o ser humano, podendo provocar apenas uma ligeira reação local em situações excecionais de defesa.
Pela sua abundância e eficácia como predadora de insetos, a aranha-de-cruz constitui um elemento importante para o equilíbrio ecológico dos ecossistemas terrestres.
FOTOGRAFIA: ANDRÉ BRITO

Vaca-loura (Lucanus cervus)
A vaca-loura (Lucanus cervus) é o maior escaravelho da Europa e uma das espécies mais emblemáticas da fauna saproxílica. Os machos distinguem-se pelas suas grandes mandíbulas, semelhantes a chifres, utilizadas em disputas durante a época reprodutora, enquanto as fêmeas são menores e possuem mandíbulas mais curtas e robustas.
Distribui-se por grande parte da Europa, ocorrendo também em Portugal, principalmente em bosques, montados e outras áreas arborizadas com árvores maduras. A espécie depende da presença de madeira morta ou em decomposição, essencial para o desenvolvimento larvar.
O ciclo de vida pode prolongar-se por vários anos. As larvas alimentam-se de madeira em decomposição, contribuindo para a reciclagem de nutrientes e para os processos naturais de decomposição. Os adultos surgem sobretudo durante o verão, alimentando-se de seiva e frutos maduros.
Apesar da sua aparência impressionante, a vaca-loura é inofensiva para o ser humano. A conservação desta espécie depende da preservação de habitats florestais bem estruturados e da manutenção de árvores antigas e madeira morta, elementos fundamentais para a sua sobrevivência.
FOTOGRAFIA: ANDRÉ BRITO

Anémona-comum (Anemonia viridis)
A anémona-comum (Anemonia viridis) é um invertebrado marinho pertencente ao filo Cnidaria, facilmente reconhecido pelos seus longos tentáculos verdes, frequentemente com extremidades arroxeadas. Embora se assemelhe a uma planta, trata-se de um animal séssil que vive fixo às rochas em zonas costeiras.
Distribui-se pelo Atlântico Nordeste e mar Mediterrâneo, sendo comum ao longo da costa portuguesa. Habita principalmente zonas rochosas pouco profundas e bem iluminadas, onde permanece presa ao substrato.
A sua coloração característica resulta da presença de algas microscópicas simbióticas (zooxantelas), que realizam fotossíntese e fornecem nutrientes à anémona. Em contrapartida, estas algas beneficiam de proteção e acesso à luz.
Alimenta-se de pequenos organismos marinhos, como crustáceos, larvas e pequenos peixes, capturados através dos tentáculos dotados de células urticantes. Desempenha um papel importante nos ecossistemas costeiros e, apesar de poder causar ligeira irritação cutânea após contacto direto, não representa perigo significativo para o ser humano.
FOTOGRAFIA: ANDRÉ BRITO

Borboleta-esfinge-do-carvalho (Marumba quercus)
A borboleta-esfinge-do-carvalho (Marumba quercus) é um lepidóptero noturno da família Sphingidae, caracterizado pelo corpo robusto e pelas asas largas de coloração acastanhada, que lhe proporcionam uma excelente camuflagem entre a vegetação e os troncos das árvores.
Distribui-se pelo sul da Europa e região mediterrânica, ocorrendo também em Portugal. Está fortemente associada a áreas com carvalhos (Quercus spp.), que constituem a principal planta hospedeira das suas larvas.
As lagartas alimentam-se das folhas de carvalho, enquanto os adultos apresentam hábitos noturnos e podem ser observados durante os meses mais quentes do ano, sendo frequentemente atraídos por fontes de luz artificial.
Esta espécie integra as cadeias alimentares dos ecossistemas florestais e contribui para a biodiversidade associada aos carvalhais mediterrânicos.
FOTOGRAFIA: ANDRÉ BRITO

Mycena sp.

Mergulhão-pequeno (Tachybaptus ruficollis)
O mergulhão-pequeno (Tachybaptus ruficollis) é a menor espécie de mergulhão presente em Portugal. Caracteriza-se pelo corpo compacto, pescoço relativamente comprido, bico curto e patas posicionadas posteriormente, com dedos lobados adaptados à natação e ao mergulho. Os machos são geralmente ligeiramente maiores do que as fêmeas.
Esta espécie apresenta uma ampla distribuição geográfica, ocorrendo na Europa, África e grande parte da Ásia. Em Portugal é maioritariamente residente, podendo ser observada ao longo de todo o ano em zonas húmidas de água doce, como lagoas, albufeiras, charcos e rios de corrente lenta, especialmente onde existe vegetação aquática abundante.
A alimentação é constituída principalmente por pequenos organismos aquáticos, incluindo insetos e respetivas larvas, peixes de pequenas dimensões, crustáceos, moluscos e anfíbios. É uma espécie oportunista, ajustando a sua dieta à disponibilidade de alimento nos habitats que ocupa.
O mergulhão-pequeno desempenha um papel importante nos ecossistemas aquáticos, contribuindo para o equilíbrio das populações de invertebrados e pequenos vertebrados aquáticos.

Rabo-de-lebre (Lagurus ovatus)
O rabo-de-lebre (Lagurus ovatus) é uma planta herbácea anual facilmente identificável pelas suas inflorescências ovais, densas e macias, de coloração esbranquiçada a creme, que lhe conferem um elevado valor ornamental.
Distribui-se pela região mediterrânica, sendo comum em Portugal, especialmente em zonas costeiras. Desenvolve-se preferencialmente em solos arenosos e pobres, ocorrendo frequentemente em dunas, campos abertos e bermas de caminhos.
A floração ocorre durante a primavera e início do verão. Após a maturação, as sementes dispersam-se eficazmente pelo vento, favorecendo a colonização de novos locais.
Esta espécie desempenha um papel importante na estabilização dos solos arenosos e na conservação dos ecossistemas dunares. A sua resistência à secura e à exposição solar permite-lhe prosperar em ambientes sujeitos a condições adversas.

Papoila (Papaver rhoeas)
A papoila (Papaver rhoeas) é uma planta herbácea anual facilmente reconhecida pelas suas flores vermelhas intensas, frequentemente com manchas escuras na base das pétalas. Trata-se de uma das espécies silvestres mais características dos campos agrícolas e áreas abertas.
Distribui-se amplamente pela Europa, Ásia e Norte de África, sendo muito comum em Portugal. Ocorre sobretudo em terrenos perturbados, campos cultivados, baldios e bermas de caminhos, preferindo locais ensolarados e solos bem drenados.
A floração decorre entre a primavera e o início do verão. Após a floração, produz cápsulas contendo numerosas sementes, o que favorece a sua dispersão e abundância.
A papoila desempenha um importante papel ecológico, fornecendo néctar e pólen a diversos insetos polinizadores e contribuindo para a biodiversidade dos ecossistemas agrícolas e rurais.

Cobra-de-água-viperina (Natrix maura)
A cobra-de-água-viperina (Natrix maura) é uma serpente semiaquática de tamanho médio, caracterizada pela sua coloração variável, geralmente em tons esverdeados ou acastanhados, e por um padrão dorsal em ziguezague semelhante ao das víboras. Apresenta ainda manchas escuras nos flancos (ocelos), olhos amarelados com pupilas redondas e dimorfismo sexual, sendo as fêmeas normalmente maiores do que os machos.
Distribui-se pelo sudoeste da Europa e norte de África. Em Portugal continental ocorre de forma generalizada, habitando rios, ribeiros, lagoas, charcos e outras zonas húmidas. Apresenta atividade sobretudo diurna, sendo mais frequentemente observada entre a primavera e o início do outono.
A sua alimentação é constituída principalmente por peixes, anfíbios e diversos invertebrados aquáticos, podendo ocasionalmente capturar pequenos mamíferos. Desempenha um importante papel no equilíbrio dos ecossistemas aquáticos ao regular as populações das suas presas.
Apesar da semelhança com as víboras, a cobra-de-água-viperina não é venenosa e é inofensiva para o ser humano. Quando ameaçada, pode achatar a cabeça e adotar comportamentos defensivos que reforçam a sua aparência de víbora, funcionando como mecanismo de dissuasão contra potenciais predadores.

Cogumelo-guarda-sol (Macrolepiota procera)
O cogumelo-guarda-sol (Macrolepiota procera) é um fungo basidiomiceto de grandes dimensões, facilmente reconhecido pelo seu chapéu amplo, que adquire uma forma semelhante à de um guarda-sol quando totalmente desenvolvido. Apresenta um pé alto e esguio, decorado com um padrão característico de escamas acastanhadas, e um anel móvel bem visível.
Esta espécie possui uma distribuição ampla e ocorre em grande parte da Europa, sendo comum em Portugal. Desenvolve-se preferencialmente em solos bem drenados, surgindo isoladamente, em grupos ou formando os chamados “anéis de fada” em prados, pastagens, clareiras e, ocasionalmente, em áreas florestais.
Trata-se de uma espécie sapróbia, alimentando-se de matéria orgânica em decomposição. Desempenha um papel ecológico fundamental na reciclagem de nutrientes e na decomposição da matéria vegetal, contribuindo para a fertilidade dos solos.
Em Portugal é conhecida por diversos nomes populares, incluindo marifusa, tortulho, capoa, frade e púcara. A sua presença é mais frequente durante o outono, especialmente após períodos de chuva.

Abelhas (Apis spp.)
As abelhas do género Apis são insetos sociais de elevada importância ecológica, desempenhando um papel fundamental na polinização de numerosas espécies de plantas silvestres e cultivadas. Vivem em colónias altamente organizadas, constituídas por uma rainha, operárias e zangões, cada um com funções específicas.
As operárias recolhem néctar e pólen, recursos essenciais para a alimentação da colónia e para a produção de mel. Durante esta atividade, promovem a transferência de pólen entre flores, contribuindo para a reprodução das plantas e para a manutenção da biodiversidade.
As espécies de Apis encontram-se amplamente distribuídas em várias regiões do mundo, ocupando habitats diversificados, desde ecossistemas naturais a áreas agrícolas. Podem ser observadas frequentemente em flores, onde desempenham a sua função de polinizadoras.
Além da sua relevância ecológica, as abelhas possuem uma grande importância económica, sendo responsáveis pela polinização de muitas culturas agrícolas essenciais para a alimentação humana.
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