Visita Virtual 04 - Jardins
Jardins

A monumentalidade da arquitetura barroca, o impacto da sua festividade visual e cenográfica, constrói-se também na unidade e complementaridade entre o património construído e aquele, mais efémero, paisagístico, que o envolve.

Diz a tradição que o jardim original da Casa se situava no topo nascente, no enfiamento do eixo central que atravessa todo o espaço. Diz ainda que terá sido desenhado e plantado pelo Arcediago de Labruje, Diogo Álvares Botelho Mourão, irmão de D. António José, o construtor da Casa. Desse conjunto original, permanecem vestígios na escadaria que liga os parterres superior e inferior e na latada que prolonga o caminho até à zona produtiva.

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O jardim de que hoje podemos usufruir nesse mesmo espaço, ultrapassada a fachada posterior da Casa e as escadas de granito, ladeadas por duas esculturas representando a Sabedoria e a Justiça, foi desenhado pelo Eng. Gomes de Amorim no início dos anos 30, por determinação da Condessa de Mangualde.

O seu desenho, concretizado em duplas sebes de buxo topiadas, parece irradiar da pequena taça de água ao centro para um conjunto de caminhos que forma uma estrela de oito pontas. Os restantes canteiros deste jardim formam pequenos labirintos trapezoidais, recuperando um dos temas mais expressivos do jardim barroco. É de notar, porém, a forma como esse desenho barroco coexiste e contrasta com a zona fresca formada por um pequeno maciço de camélias que, tal como a palmeira monumental, terá sido plantado pelo terceiro Conde de Vila Real muitas décadas antes. 

Descendo a escadaria que prolonga o eixo para nascente, descobrimos um conjunto notável, edificado já em 1948, por determinação de D. Francisco, o instituidor da Fundação. A norte, encontramos o Jardim de Água, formado por três tanques, dispostos em cascata, com desenho modernista de António Lino. A água vem de uma nascente situada a norte, no Monte de Santa Sofia, e transborda por gravidade de tanque para tanque.

Com consistente projecto de Gonçalo Ribeiro Teles, nas décadas de cinquenta e sessenta, D. Francisco de Sousa Botelho de Albuquerque altera totalmente toda a área que enquadra a fachada principal da Casa.

Cria uma nova entrada, que num traço muito conseguido de desenho construído e vegetal, concebe a surpresa e o encantamento que constitui a aproximação à Casa, com a vista do alinhamento da sua perspectiva central.

O Lago, um espelho de água construído nos anos cinquenta, prolonga de forma perfeita o conjunto edificado, que nele se reflecte reproduzindo a imagem da fachada principal, e envolvido por uma mata de castanheiros e carvalhos plantada nos anos sessenta, ao reflectir a Casa coloca-a no meio da vegetação.


A escultura de João Cutileiro, que desde 1981 dorme no Lago, integrou já a imagem da Casa.

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O segundo, o Jardim das Coroas, da autoria de Paulo Bensliman, é composto por arabescos de buxo aparado rente ao chão.

A sua composição, que conjuga leveza e racionalidade, é enquadrada por quatro grandes florões simétricos, de sugestão heráldica, que marcam os quatro cantos do jardim e evolui em oito composições espiraladas que confluem ao centro numa sebe circular. Deste jardim parte, em direção a sul, uma latada-jardim, apoiada em robustos obeliscos de granito, que propõe o prazer de uma longa caminhada até à zona florestal.

Para além da harmonia da composição e da tranquilidade que emana do elemento aquático, o conjunto servia também para armazenar água que poderia ser utilizada em caso de incêndio ou para alimentar a zona produtiva localizada imediatamente abaixo. A sul, dois jardins neo-barrocos. O primeiro, a que chamamos Jardim das Flores, foi também desenhado por Gomes de Amorim e replica de muito perto o desenho do parterre superior.

O elemento mais impressionante deste conjunto é, porém, o túnel de cedros que se prolonga entre a escadaria que vem do parterre superior e o início da latada original, a nascente.

Lugar idílico, de nota romântica, os seus quase quarenta metros de recolhimento e frescura remetem-nos para uma experiência fora do tempo. A delicada conjugação entre o elemento natural, mais de oitenta cedros mexicanos, e a permanente conformação humana do seu desenho, faz deste túnel de passeio uma das obras de arte da topiaria portuguesa do séc. XX.

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Regressando ao plano superior, ao longo da ala sul, estende-se o Pomar de Recreio. Distribui-se por seis canteiros delimitados por sebes altas de buxo.

Se, originalmente, eram as árvores de fruto, a par com flores e árvores ornamentais, a pontuar o passeio tranquilo da família, é hoje o Jardim de Rosas da Casa de Mateus que inspira o espaço com a sua vibração de cores e aromas. Plantado nos últimos anos, o jardim reúne um número importante de diferentes espécies desta flor festiva que o homem adotou há mais de cinco mil anos e cruzou infinitamente, em busca da perfeição na cor, na forma e na intensidade simbólica.

Para lá do Jardim de Rosas, ultrapassado o caminho de saibro, ladeado de sebes de buxo e marcado por arcos de verdura monumentais, a Horta-Jardim, também de implantação recente, marca a transição para os terrenos de cultivo.

A rematar este caminho, do lado poente, encontramos o Barrão de Cereais e a respetiva Eira, a marcar simbolicamente a importância histórica da atividade agrícola da Casa. Ou o tanque, reservatório de água mandado construir por D. Luís António e D. Leonor, para abastecimento da rede de água que alimentava a Casa, cujos remanescentes podemos ainda ver no espaço exterior.

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Mas é no espaço fronteiro à fachada principal da Casa, no seu topo poente, que se desdobra uma das maiores maravilhas dos jardins da Casa de Mateus.

Nos anos sessenta do séc. XX, beneficiando do desvio do caminho público operado por D. José Luís cem anos antes, o Arq. Gonçalo Ribeiro Teles redesenhou todo o espaço de acesso à Casa. Desde o portão de entrada, desenhou uma azinhaga em curva, delimitada por uma densa zona arbórea, que proporciona ao visitante uma fascinante experiência de descoberta que tem o seu momento de explosão cenográfica quando desemboca frente ao eixo central da Casa, face a um grande espelho de água que duplica a fachada do Palácio. A leveza, a ligeira distorção que o movimento da água introduz na paisagem acentua a musicalidade do espaço, num confronto entre serenidade e monumentalidade tão orgânico que nos parece hoje difícil acreditar que não foi sempre assim que o Palácio se deu a ver.

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No Dia Internacional dos Monumentos e Sítios de 2020, apresentámos uma exposição online que nos mostrou as transformações sucessivas que conduziram ao que conhecemos hoje como os Jardins da Casa de Mateus.

Sobretudo a plantação dos grandes Cedros, há precisamente 150 anos, e a intervenção do Arq. Gonçalo Ribeiro Telles, nos anos 60 do séc. XX.

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